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Domingo, 29 de Abril de 2012
A missão imprevista

Interpelar o Divino pode parecer loucura do Homem, mas há situações tão dificeis de compreender e de resolver que essa interpelação é quase instintiva. Aprendi, ouvindo, que Deus ou a Vida, como se quizer chamar, nos fala sempre, através de outros como nós. A questão é saber ouvi-Lo com o coração e não com a razão, esta sempre fertil em argumentar, dificultando a solução pretendida. Esse diálogo é possível e comigo sempre resulta. Há anos formou-se um caminho que eu fui fazendo, caminhando. Só hoje posso ver e sentir como foi  frutuoso tê-lo seguido, amparada pela Luz que tem iluminado a minha vida de trabalho e luta, sempre por alguém ou para alguém, onde me incluo como parceira feliz. Estou agora numa prova difícil, a gastar as últimas energias que restam. Tanto desejei ser útil até ao fim que a tarefa chegou e não vai ser fácil. Vou cumpri-la até ouvir de novo a Sua voz. Sei que não estou só.



publicado por velhoparafuso às 18:09
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Quinta-feira, 29 de Março de 2012
Voando sobre mim

Não sei como de define uma imagem que nós fazemos de nós próprios, quando só dispomos de sentimentos e reacções que estes nos provocam.  Os sentimentos têm raizes no tal mundo ainda pouco conhecido e as reacções nem sempre são analisadas. Não somos vítimas de ninguém, mas apenas de nós mesmos. Mas a tentação de atrbuir aos mais próximos responsabilidades pelos nossos sofrimentos e fracassos é constante. Para que isso não aconteça teremos de ir longe, onde está a tal imagem que não sabemos definir, a origem, o projecto de uma alma em constante evolução. E aí, onde o destino se encontra com o livre arbitrio e a total responsabilidade por cada pensamento, palavra ou obra, talvez possamos encontrar a imagem que damos ao espelho da Vida.



publicado por velhoparafuso às 10:43
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Quinta-feira, 16 de Fevereiro de 2012
...

É como fazer um bôlo sem ter a receita completa. Um pouco disto mais um pouco daquilo, acrescenta um novo ingrediente, as ideias vão surgindo, se possivel alguma poesia bem batida para crescer e depois tempo, o tal tempo que o tempo não perdoa, porque tudo tem o seu tempo certo. Este bolo imaginário pode ser o sonho ou um projecto de mudança ou até, quem sabe, uma viagem. Basta que tenha havido quantidades certas para que alquimia dê seus frutos. Nesta subjectividade vou compondo os meus dias, permitindo manter o equilíbrio entre a esperança e a apatia. Ir dando valor à existência e não criar grandes expectativas, saber que o fim deste caminho é já ali, mas saber ainda disfrutá-lo. Pensar e criar algo que nos enriqueça, eis o bolo saído da alma. E mais só os grandes Homens conseguem fazer.



publicado por velhoparafuso às 18:10
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Domingo, 29 de Janeiro de 2012
Um inverno luminoso

Quase primavera, este inverno é cheio de sol e de azul. Não fora o frio noturno e seria um conforto para os olhos e os sentidos. As pequenas flores amarelas já inudam os campos, crescem ervas mas cresce também o medo da seca que deixa homens e animais sedentos. A medida ideal para a Vida tende a desaparecer e só os extremos vão permanecer. Há muito que a Natureza é usada e não respeitada. E usada com ganância, ignorando a nossa total dependência. Em contraste com a beleza desta luz, temos o mêdo instalado. Sem dinheiro já é mau, mas sem água não há vida. E vamos sofrer todos com a sua escassês, se o céu permanecer azul. Esta minha dissertação é tudo menos criativa. Não inventei, não fui original. Apenas olhei da janela e escrevi palavras. Mesmo que não mereça ser lido, gostei de usar este belo e rico idioma que falo e uso e ouço com prazer.



publicado por velhoparafuso às 10:31
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Quarta-feira, 28 de Dezembro de 2011
Texto à luz da noite - 2

Fim de outro ano em noites frias. Palavras que se usam para ornamentar um texto, cujo sentido pode ser tão abstracto que não será perceptivel a qualquer leitor. Isto, a acontecer, irá dever-se à pouca clareza das minhas ideias ou à pouca capacidade em expô-las. O sol brilha para nos ajudar, pois as perspectivas para 2012 amedrontam um povo inteiro. Aqui e pelo Mundo todo. Antevejo dificuldades que serão estimulantes para os lutadores. Muitos terão melhores dias do que teriam se a "crise" não tivesse existido. Aos mais velhos, que já a viveram algumas vezes, é apenas uma repetição, embora hoje mais sentida por falta de trabalho. Nas crises anteriores havia profissões e no mundo actual é o emprego, que não dá trabalho a novos e a velhos. Era uma certeza ser sapateiro ou ser alfaite ou fazer pão. Os jovens só vão à escola, ao super-mercado, à discoteca. O trabalho é-lhes vedado. Mas a vida deve ser vivida e aprendida enquanto se está crescendo, em pequenas tarefas do dia a dia. E não mais esquece se lhes for dada a noção da responsabilidade que endurece a vontade. Muito embora a alegria de ver esta juventude mais culta e conhecedora do mundo, também se deve alertar para a ausência de conhecimento de saberes, sem os quais a vida não é possivel.



publicado por velhoparafuso às 14:45
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Segunda-feira, 14 de Novembro de 2011
Texto à luz da noite - 1

Também eu julgo ver o mundo através da minha aldeia. E também eu julgo que a minha aldeia é todo o mundo.E todo o mundo é grande como o Universo e o seu pulsar é sentido no coração da minha aldeia.Neste circuito aberto de rotações e translações, circulos e parabólicas, há sinais que levam ao espanto e ao sonho. Basta haver na minha aldeia seres, capazes de se deixarem enlear pelo maravilhoso, que as novas tecnologias nos proporcinam de conhecimento e abertura ao que existe. Do maior ao mais pequeno, em dimensões incompreesíveis, junção de formas e cores inimagináveis, tudo vejo da minha aldeia, com acesso mágico através do éter. Estar aqui e agora é uma dádiva. E reconhecê-la é, para mim, um conforto para a alma. O céu é o agora, nem ontem nem amanhã, basta sentir o amor que une a minha aldeia ao misterioso espaço/tempo que o Todo condiciona.



publicado por velhoparafuso às 18:02
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Segunda-feira, 10 de Outubro de 2011
Fragmentos

No jardim comun, vai ser plantada uma árvore de erva cidreira. Sugeri o local, abrigado do vento e do sol. No sul do país, é mais conhecida por lúcia lima. Tem um aroma intenso e um sabor adocicado, quando fervida, e é usada como digestiva e calmante. Com uma casca de limão adicionada em bebida fria, é um bom e saudável refresco. Nos dias mais importantes das nossas vidas, estamos ligados a pequenas coisas, tidas como vulgaridades, como esta: sugerir um canto adequado ao crescimento de uma planta. Coisa de menos, dirão muitos. E com razão, se comparamos outros vectores da nossa existência. Mas ao imaginarmos o seu desenvolvimento e o papel que lhe está reservado, esta árvore poderá ser útil a pessoas e animais e encantar quem sabe olhar a beleza, louvando a Vida. Só por isso, este foi um momento agradável de viver.  

 



publicado por velhoparafuso às 15:23
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Sábado, 16 de Julho de 2011
A intolerância

Nestas últimas décadas, a palavra tolerante e o seu contrário, são citadas de forma aleatória na escrita e no diálogo, com o sentido de produzir no leitor ou no ouvinte o efeito de aceitação, por parte do autor, das alterações a conceitos instituidos na nossa sociedade. E quando alguém diz, simplesmente, que é tolerante ou seja, que quer aceitar as novas ideias, pessoas diferentes e situações que alteram a forma de viver a que está habituado, a palavra "tolerante" não está bem aplicada. Basta analisá-la. O seu significado não é nem concordância nem aceitação, mas algo que se aceita por pena, comiseração ou até obrigação. Tolerar não é estar dentro do processo em que a situação se desenrola. mas apenas observá-lo de fora, vivendo o preconceito que se diz não possuir. É como um olhar de cima para baixo, de superior para inferior, de mais para menos. Tolero que aquilo exista, porque não posso impedi-lo de existir. Todos querem aceitar tudo, por comodismo ou por oportunismo mas, por amor à sua Verdade, não digam que são tolerantes, pois o sentido da palavra distorce a ideia que querem passar de si. 



publicado por velhoparafuso às 15:46
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Terça-feira, 12 de Julho de 2011
Apenas escrever

Do mundo das ideias recebo mensagens que não poderei transmitir. Ou por inépcia ou por ignorância ou, talvez, porque não as sei interpretar. Assim vai a minha noção de vida...não a entendendo. Parece estranho, para quem não tenta contactar o seu mundo interior. Mas felizmente, já existe muita gente que procura dentro de si a chave que nos ligará ao Universo e ao retorno a Casa. O facto de nos movermos como matéria e como tal nos reconhecermos, não invalida a certeza de sermos muito mais do que a maioria dos humanos pensa. Se todos soubessem procurar o seu EU verdadeiro e nele acreditassem, talvez o destino desta civilização pudesse ser alterado. Vou vibrando dentro da minha capacidade de escolha, para usar a inteligência com ética e alguma sabedoria.



publicado por velhoparafuso às 15:06
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Horas mortas

Este idioma em que vivo, cujo formato pode ser modificado por cada falante e é sempre entendido por todos, tem nele toda a poesia do mundo.  As suas raízes dão a volta à terra, presumindo-se que a sua estrutura foi concebida pelo vento que passa. Tem os sons do mar que nos cerca, das folhas secas que, no outono, são tapetes macios nas nossas avenidas. E tem a doce palavra Amor, a doce e especial palavra saudade, que não tem tradução possivel, tal como o sentimento que simboliza. Ao ler poesia pode entender-se o espírito português, sensível e ao mesmo tempo criativo e aventureiro. Estas observaçôes de hoje, são apenas resultado de breves leituras de trechos de Fernando Pessoa, que em dias "não" me ajudam a viver.



publicado por velhoparafuso às 15:03
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