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Quinta-feira, 19 de Setembro de 2019

Lamentos

Para mim, pelo que vai dificultando o meu dia a dia, a velhice é um fardo dificil de transportar. Penso que é um recado da Vida, a dizer como deve ser melhor a partida, perante as perdas que estou a pressentir. Nada muda o meu Amor por tudo que já vivi e por tudo que estou vivendo. Apenas sou confrontada com este desconhecido a que dou o nome de limites. Quanto ao sofrimento, estou a vivê-lo como um produto da mente, que o coloca para destabilizar as minhas crenças em outras vidas úteis a toda a humanidade. Dizem que o futuro a Deus pertence. Mas Deus somo todos nós, à Sua Imagem e semelhança, seres criadores, dotados de muitos poderes, que até podem mudar o mundo. Essa esperança eu tenho, só não sei como. Um dia talvez venha a saber...um Dia.


publicado por velhoparafuso às 15:00

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Terça-feira, 17 de Setembro de 2019

Juntar as ideias e as dúvidas

Com tanta informação a circular pelo mundo é muito dificil ter certezas claras sobre o que realmente acontece. Todos dão opiniões, o que confunde a nossa. E a dúvida, que é construtiva, também pode deminuir a nossa capacidade de ter ideias sobre tudo e todos. Por vezes tiro o som, para não ouvir os comentadores politicos ou os queixosos da vida. De tudo sobram interesses, invejas e ganâncias. Neste silêncio em que vivo e gosto, já sinto a distância entre os meus valores e os atuais. Nem dá para pensar nisto. Só o tempo poderia responder.


publicado por velhoparafuso às 18:43

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Quarta-feira, 11 de Setembro de 2019

Desativada

A consciência de mim exige movimento, ação e provas de que ainda estou na Terra em pleno. Mas o corpo, ouvindo as ordens vindas do interior, não as cumpre e mantên-se apático, imóvel, malandro. Na cadeira estou bem, a dar ordens para dali saír, que o trabalho espera e o passear também. Por graça afirmo-me desligada da corrente. Por graça, rio-me desta imagem que tenho de mim, os restos do tempo vivido num espelho inventado. Estou muito gasta, mesmo fora de tudo que me envolve. E por hoje é tudo.


publicado por velhoparafuso às 18:55

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Quarta-feira, 4 de Setembro de 2019

Treinar a memória

As, lembranças são coloridas, cheirosas, de pele e visionadas com o terceiro olho, ou seja, com a visão interior. Assim se desenvolve a memória mantendo dentro de nós o que se ama e também o que nos incomoda, mesmo que se queira esquecer. É um livro, cujas folhas teem vida e vibram para serem lidas. Por tudo isto a memória é um tesouro a alegrar os dias que passam em silêncio,  fazendo da saudade o mote para a vida.


publicado por velhoparafuso às 18:22

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Domingo, 1 de Setembro de 2019

Os dias pequenos

Nasci em Fevereiro, signo de Aquário. Pouco sol, alguma chuva e perto do fim do dia. Chorei muito com fome. Dizia o povo que era perigoso dar a mama antes das vinte e quatro horas de vida, portanto grita e chupa no dedo.  Eu perguntei tudo para saber o meu princípio. Tudo repetido, tudo explicado. Quando aprendi a escrever, teria seis anos quase sete, apontei o que sabia e o meu Pai guardou. Só quando ele partiu me foi dado ver a "gracinha" entre coisas pessoais. A nossa existência tem pequenas maravilhas que nos comovem e nos compensão de outras que doem até à alma. Lembrei hoje, não sei porquê. Talvez os dias a encurtarem e o vento frio das tardes me levassem ao meu inverno interior. Ao colo da Mãe,  aos braços de tanta gente que me amou e não sei onde está.  E choro de fome, como antes. Tão perto... tão perto...


publicado por velhoparafuso às 18:45

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Segunda-feira, 26 de Agosto de 2019

Cetim, sal e sol

Foi de cetim a pele que ainda tenho.

Foi cetim de ouro, de sol e de sal.

 Foi brilho de joia nova.

Depois foi rocha,

guarda da luta de viver.

Foi de cetim, de lábios e de dedos,

foi pele de deusa, fruta sumarenta.

Foi apenas pele. Pele de toda a gente.

Hoje é do tempo, é cetim rasgado

e pronto a ser desfeito pelo vento.

 


publicado por velhoparafuso às 18:29

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Domingo, 25 de Agosto de 2019

As horas de um dia

Na minha idade todo o afeto é benvindo. Pode ter um abraço apenas, com poucas palavras que me envolvam no seu significado. Mas quando tudo isto se conjuga com a alegria da juventude, o prazer do bom repasto e a amizade de quem me recebeu, posso sentir que tive um dia feliz. A vida de toda a humanidade é feita de horas boas e horas más, consoante cada pessoa, as suas experiências e a sua noção de felicidade. Para mim, que sou um pouco doida, é mais fácil sentir-me feliz. As minhas horas amargas são vividas e choradas entre mim e eu, na forma e hábito de ser só comigo. É paradoxal toda esta forma de viver, eu sei, mas só assim sou eu. Resumindo, agradeço e retribuo em amor.


publicado por velhoparafuso às 14:57

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Sexta-feira, 16 de Agosto de 2019

Perder e experimentar

Dias tristes, mais motivos para chorar. Mas os olhos secaram há muito e hoje apenas a tristeza me acompanha. Perdi algo importante para mim, por ter sido herdado dos que amo. Fora de nós tudo é possivel, dentro de nós nada é impossivel, porque o comando está dentro e não fora. Depois de ter comunicado à PSP o prejuizo e anulado os cartões, só me resta obter tudo de novo e esquecer. O que não tem remédio, remediado está. A joia seria de alguém um dia e o dinheiro também. Meus são os meus valores, os meus pensamentos e as minhas ações enquanto aqui estou. Tudo é usufruto. E a alegria de viver continua comigo.


publicado por velhoparafuso às 18:03

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Sábado, 10 de Agosto de 2019

Hoje é dia de parar

e  no silêncio  agradecer e meditar e adorar a energia. É dia de olhares o tempo, adorando o infinito. Hoje é dia de tudo o que haja de subjetivo na terra. O que não tem nome. O que não tem idade. O que não tem forma. Hoje é o dia de alguém que já sentiu e acedeu a algo   maravilhoso. Só esse alguém pode saber.)Este pequeno texto não me pertence, mas encontrei nele tanta beleza que quase o transcrevi. Tirei dele o que mais me tocou.  Vou meditar e procurar a Voz que o ditou.


publicado por velhoparafuso às 15:05

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Terça-feira, 6 de Agosto de 2019

O primeiro telefone e os primeiros de tudo

Quando em 1946 foi instalado um telefone na minha casa o espanto foi imenso. Vieram vizinhos, depois as chamadas e as campainhas estridentes. E o orgulho do ter uma forma de viver moderna foi um alento para todos. Mas a seguir veio o frigorifico, um mastudonte a ocupar a pequena cozinha. E as novidades não paravam. Desde a água quente vinda dos canos até à panela de pressão, que cozia o polvo em quinze minutos. E o tempo foi passando naturalmente, trazendo cada dia novos objetos que nos deixavam felizes. A vida modificada não tem paralelo com a que encontrei quando cheguei a este mundo. Eu acho divertido confrontar as minhas lembranças e pensar como vejo tudo de cima se souber dominar um drone. Que século maravilhoso este que estou a viver,  mesmo sendo uma poça de sangue e sofrimento.


publicado por velhoparafuso às 17:31

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