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Sexta-feira, 29 de Maio de 2009

De tanto pensar

É monólogo sem fim este dia a dia. Frente a árvores adultas, de grande porte, sou menos ou mais perante a Vida? Perguntas de quem julga ser útil e apenas se orienta pelas horas das necessidades básicas. Pobre por ter tudo quanto precisa e mais o que não mereça ter. Rica por reconhecer esta discrepância tranquilamente. Aceitarei o mal da mesma forma, quando ele vier? Um dia serei menos eu à espera de mão amiga que me segure? Tantas perguntas sem respostas lógicas possíveis. E imprevisivel o minuto seguinte. Dia de muito calor em plena primavera põe a sanidade mental em dúvida.Até amanhã, se vier com mais lucidez. Ainda bem que não leitores para esta folha...


publicado por velhoparafuso às 16:48

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Sábado, 23 de Maio de 2009

Hoje desisto

Não de viver mas de fazer algo útil para alguém. Vou apenas olhar em redor de mim, não para aprender mas para observar, sem crítica e sem elogio. Ver e ver e ver. Indiferentemente.


publicado por velhoparafuso às 15:52

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Sexta-feira, 15 de Maio de 2009

Abraços

O amor veio em visita

num botão de rosa.

E numa graça bendita

trouxe dedos de quem ousa

ir afagando a vida

enquanto nele cresce,

como se rosa fosse

a abrir no amor.

Foi uma tarde de abraços,

desses que os anjos

espalham pelos humanos,

como belos laços

que aliviam a dor.


publicado por velhoparafuso às 16:16

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Domingo, 3 de Maio de 2009

Acasos e lembranças

Estas linhas são para marcar o dia. Os sons são embaladores, por serem suaves. Algumas vozes e o ruido da passarada a cortarem o silêncio. O calor da manhã ajuda-me a encontrar alguma alegria nesta forma de viver escolhida por mim. Nada mais posso sentir, por agora.  É outro dia, com mais vento e mais quente. Esta espécie de diário não parece ter outro sentido senão acompanhar o outro eu que gosta de escrever sem objectivos e sem destinatários externos. Vou deixar aqui um pequeno apontamento, a que chamarei "Serão do meu Avô", que também vou guardar nos meus documentos, para mais tarde imprimir.

 

Ouvi contar que um homem velho esperava o anoitecer sentado à porta de casa, frente ao campo plano, de onde avistava o sol a desaparecer. E quando o tempo se tornava frio ou chuvoso se recolhia, embora mantendo a porta aberta para ver caír a noite. Até que um dia viu uma figura esguia a correr pela planicie, vinda de lado algum e à pressa para lado nenhum. Espantado aguardou saber quem era e de onde poderia ter vindo. Mas apenas lhe ficou a lembrança, pois às suas perguntas não houve uma resposta. Passou tempo. E uma tarde, quase noite, a cena repetiu-se. O homem velho, que julgava que já sabia tudo por ser velho, gritou e acenou, mas não atendido. E o vulto ía e voltava, como uma lanterna que se acendia e se apagava.  A cena era agora diária e a curiosidade era grande. Assim, levantando o braço e a voz, gritou: quem és tu e para onde vais? A resposta veio rápida e nada ofegante para quem ia a tamanha velocidade: sou a morte e vou trabalhar. A voz que entrou pela cabeça e não pelos ouvidos, deixou-o gelado. Sem esperar pela noite, recolheu-se e fechou a porta. Tentou dormir mas o sono ficara fora. Alimentando a insónia, perguntava a si mesmo qual seria o trabalho da morte e porque corria tanto, de um lado para outro. Aos poucos foi perdendo o medo, voltou a dormir descansado pois se ía trabalhar é porque havia trabalho para ela algures. As tardes monótonas repetiam-se a ver o pôr do sol e a vê-la sempre apressada. Mas houve uma vez em que não a viu. Olhou para todos os lados e nada. A noite chegou. Temeu ir para dentro, não fosse ela estar a descansar em sua casa. Era mais sensato ficar na rua, pois assim vê-la-ia aparecer a caminho das suas tarefas. Pensou, mais uma vez, quais elas seriam, quando a voz que não entrava pelos ouvidos, se fez ouvir: o meu trabalho é este, vir buscar-te, como a tudo que deve renascer sob o meu impulso, em dia e minuto que só eu conheço. Por isso me julgaste a correr (embora o tempo e o espaço para mim não existam), me esperaste quando não me viste passar ao longe. Eu estava dentro de ti, porque a noite seria a tua hora sagrada.

Ouvi contar, também, que o homem velho foi encontrado à porta de casa, calmo e frio, a olhar o campo plano, em frente.

 

 


publicado por velhoparafuso às 17:35

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