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Terça-feira, 1 de Outubro de 2013

Sem título possivel

É o medo do papel branco, ou da tela branca ou da primeira palavra ou da primeira pincelada, é o medo do ínicio de qualquer obra quando se pergunta como vou fazer? Serei original no meu trabalho, serei olhado como alguém que merece a atenção e o apreço de quem me vê? E de novo vem a lembrança que eu registarei e que parece nada ter com o que ficou para trás, mas tem, porque "aquilo" ainda está presente em mim:

                                   E de repente olha-se um sapato torto

                                   que ficou perto da gaveta dos sapatos.

                                   E de repente sente-se que o morto

                                   está, sem estar, em todos os lugares.

 

                                   E a memória ri da gente, em actos

                                   que podem induzir, quem sabe, ao choro.

                                   E de repente tudo sugere azares

                                   a quem, sem chão, tudo parece torto.

 

                                   A Vida apenas fez o que tinha de fazer.

                                   E de repente, até o sapato é morto

                                   e nada mais podemos entender.


publicado por velhoparafuso às 15:03

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